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O caos gostoso dos bastidores da notícia

Da série “quando foi que você fez algo pela primeira vez?”, me vi atuando como assessora de imprensa na equipe de comunicação de um festival de teatro feito com e para crianças. Foram dias de muito trabalho nos bastidores e muito aprendizado para essa velha repórter/editora que está engatinhando na arte de se relacionar com a mídia. Mas o que realmente me tocou foi viver de perto a rotina de produção de um festival cultural. Que doideira gostosa!
Em 25 anos de carreira, eu pouco atuei na área da cultura, salvo quando cobri férias como editora da Folha 2, o caderno de cultura da Folha de Londrina, minha escola. Naqueles dias, me apoiei no conhecimento dos repórteres que há anos construíam os materiais do caderno, acumulando fontes e ideias de pauta. Eu era a ponte que refinava o material produzido por eles que chegava aos leitores.
Era um trabalho muito gostoso porque falar de cultura é sempre muito leve, especialmente quando os repórteres são apaixonados pelo tema e entregam sempre boas matérias.
Mas atuar do outro lado, “vendendo” pautas para os jornalistas, é outro negócio. As informações nos releases devem ser precisas e convidativas, o relacionamento é o que conta e, no final, quando dá certo, a gente sente um orgulho de levar a mensagem para frente com o rigor jornalístico. Ler um release publicado na íntegra dá um quentinho no peito.
Produzir releases enquanto a programação está acontecendo e está sujeita a mudanças por conta da produção ou das intempéries climáticas é desafiador. Escrever uma primeira versão, ler, ajustar, reler, reajustar, escolher sugestões de fotos e vídeos, enviar, acompanhar a publicação, acompanhar entrevistas, produzir clipping, publicar notícias no site, revisar legendas das redes sociais, corrigir erros e pedir desculpas. O trabalho é quase infinito ainda que o período seja bem definido. Uma semana para colocar toda uma comunicação no ar com o mínimo de ruído possível. Em uma equipe com apenas dois jornalistas parece quase impossível. Mas a gente conseguiu, sem nunca ter trabalhado juntos.
Participar desse festival foi um convite de última hora feito pela minha querida amiga Cecília. Ela seria a assessora, mas por questões pessoais, não conseguiria assumir o trabalho e sugeriu meu nome ao coordenador de comunicação, Renato.
Eu o conhecia de nome e ele também, mas nunca havíamos nos apresentado. Foi uma aposta. E eu senti que deu certo. Minha missão era ajudá-lo em tudo para que a comunicação do festival fluísse da melhor maneira. Eu peguei o bonde andando, mas acho que a experiência me ajudou a superar os receios de não saber bem o que estava fazendo.
Então, foquei no jornalismo. Na técnica. E tentei usar meu pouco repertório com arte e crianças para construir textos convidativos. Enquanto eu preparava os releases mais informativos, Renato cuidava da parte criativa, pois além de jornalista, é escritor, poeta e ator. E no meio do festival, nasceu um livreto de poemas e atividades que dialoga com a missão do projeto: levar informação de arte, educação e meio ambiente para famílias. Eu diria que isso nunca seria possível em tão pouco tempo, mas eu vi acontecer.
Outra boa descoberta do festival foi trabalhar com pessoas responsáveis. Juntos, criamos uma equipe eficiente e que trouxe um olhar especial para os conteúdos produzidos em fotos e vídeos e nas redes sociais e no site. Lembrando que tudo foi sendo construído dia a dia ou, por que não dizer, de hora em hora.
Toda essa experiência aconteceu enquanto minha avó, de 93 anos, caiu e quebrou a perna. Eu escrevi releases e vi espetáculos acompanhando o grupo da família, onde minha irmã relatava, com bom humor, a evolução da vó, que em menos de uma semana já queria sair andando, pois vira e mexe ela se esquece que passou por uma operação e ficou loucona de remédio para dor no hospital.
Como diz a Carol, a vida é esse caos todo e a única forma de enfrentá-lo é viver devagar, desafio por desafio.
Esse foi só mais um que posso riscar da lista.

Ficou curioso para ver o resultado do nosso trabalho no Quati Criança! – Festival das Infâncias? Clica aqui.

(Por Mariana Guerin/ Foto: Álvaro Canholi)

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